O que é o CDI?

CDI significa Certificado de Depósito Interbancário. Na prática, é uma taxa gerada pelas operações de empréstimo que os próprios bancos fazem entre si diariamente — quando um banco fecha o dia com saldo negativo no caixa, ele toma dinheiro emprestado de outro banco por uma noite, pagando o CDI como juros.

Essas operações são registradas e publicadas diariamente pela B3. O resultado é uma taxa que praticamente acompanha a Selic (a taxa básica de juros definida pelo Banco Central) — normalmente ficando entre 0,10% e 0,15% abaixo dela ao ano.

Resumindo: o CDI é a taxa de juros que os bancos cobram uns dos outros. Como referência para investimentos, ele representa o "piso mínimo" que qualquer banco deveria pagar para captar dinheiro do público — afinal, você assume mais risco do que outro banco.

Por que o CDI virou a régua da renda fixa?

Quando um banco emite um CDB para captar dinheiro, ele precisa oferecer uma taxa atraente o suficiente para competir com outras opções. O CDI virou o ponto de referência natural porque representa o custo mínimo de captação do sistema financeiro — é o benchmark mais honesto disponível.

Por isso, quase todo produto de renda fixa é expresso como um percentual do CDI: "100% do CDI", "110% do CDI", "90% do CDI". Esse percentual diz o quanto o investimento rende em relação à taxa de referência do mercado.

O que significam os percentuais do CDI na prática

Abaixo do mercado
90%
Poupança de banco grande. Evite quando a Selic está alta.
Referência mínima
100%
CDB de banco grande com liquidez diária. Aceitável para reserva.
Bom negócio
110%
CDB de banco médio com prazo de 1–2 anos. Ótima relação risco/retorno.
Excelente
120%+
CDB de banco menor ou prazo longo. Verifique o FGC e o prazo de resgate.

* Exemplos ilustrativos. Taxas reais variam conforme o cenário de juros do momento.

CDI vs. Selic: qual é a diferença real?

Na prática, quase nenhuma. A Selic é definida pelo Banco Central a cada 45 dias nas reuniões do Copom. O CDI é calculado pelo mercado diariamente — mas como os bancos precisam se financiar próximos à Selic, as duas taxas ficam virtualmente coladas.

A diferença importa em produtos prefixados de longo prazo, onde a expectativa futura da Selic entra no cálculo. Para o investidor do dia a dia comparando CDBs e LCIs, tratar CDI e Selic como equivalentes é suficientemente preciso.

Comparativo: onde o CDI aparece e o que esperar

Produto Rentabilidade típica IR? FGC? Liquidez
CDB (banco grande) 95–100% CDI Sim Sim Diária ou no venc.
CDB (banco médio) 105–120% CDI Sim Sim No vencimento
LCI / LCA 88–97% CDI Isento PF Sim No vencimento
Tesouro Selic ~100% Selic (≈CDI) Sim Governo D+1
Poupança ~70% Selic (quando Selic > 8,5%) Isenta Sim Diária (aniversário)

O efeito do IR sobre o rendimento real

Um CDB a 110% do CDI parece melhor que uma LCI a 92% do CDI — mas pode não ser, dependendo do prazo. O IR na renda fixa segue uma tabela regressiva: começa em 22,5% para aplicações abaixo de 6 meses e cai até 15% para prazos acima de 2 anos.

Para comparar corretamente um produto com IR e um isento, use a fórmula:

Taxa equivalente líquida = taxa bruta × (1 − alíquota IR)

Exemplo: CDB a 110% do CDI por 1 ano (IR de 17,5%):
110% × (1 − 0,175) = 90,75% do CDI líquido

Se a LCI oferece 92% do CDI isento, ela é melhor neste prazo — mesmo parecendo menor no papel.

Como usar o CDI para tomar decisões melhores

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